quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

São palavras

Brincar, voar, são palavras que não me saem da cabeça,
é estúpida esta forma de estar.
A vergonha é quem me mente
e o Lobisomem olha de longe o castelo do Conde Drácula para não lhe fazer frente.
A vida é fantasia inventada por mim,
o tempo passou mas não me viu...
Às vezes quase que morro por dentro
e sinto-me da loucura, a pouco tempo!
Nada é o que parece,
vivemos numa casa de bonecas...
Os olhos mentem,
o sorriso é aparente,
é um desatino cá dentro.
Um figurino para cada dia e para cada momento
e tenho medo daquilo que penso.
Assistindo à minha vida sempre do lado de fora,
sou espectadora assídua, mas sem intenção de entender o filme sem história.
Olhar sem ver é crucial...!
marioneta nas mãos do sádico, derrotista que me entorpeceu.
As palavras surgem do nada, numa linha imaginária,
um fluxo de vida,
uma cascata que não pára.
Não sou livre nas palavras,
estão escondidas, mumificadas...
Atrás de uma porta que eu não abri!
Vozes invocaram que eu não existia,
a incerteza que há em mim,
eu não percebi,
eu só absorvi...
e a luz esteve sempre apagada,
disfarçada a falsa sensação de contentamento,
mergulhei no mais profundo mar
e de olhos vendados, a mentira passou a ser verdade,
transformou-se em pedra reboliça
e tornou os sonhos impossíveis de sonhar
vesti-me do que não era
e senti-me a naufragar.
Soberbamente, fiz-me juiz principal sem querer saber de outra opinião,
Ignorei a relativização, um alicerce desta casa e deste ser.
Brinquei com a realidade...
e não me apercebi de que tudo está em mim!
As coisas que não existem são para enlouquecer.
Matar um passado que nunca nasceu...
Porque não fui eu?!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Deriva

Posso inspirar-me em ti para escrever sobre aquilo que nunca vi...
Porque é que não me ensinaste?
Porque é que me deixaste no meio de uma guerra antiga?
Porque é que me deixaste existir, só por existir?
Porque é que nunca me prendeste?
Porque é que me mostraste a vida, sem ser?
Porque é que só me mostraste o negro
e porque é que não me espantaste o medo?
Esqueceste-te do devido?
Porque é que me mostraste o nada, que não valia?
Porque é que não tiraste a venda?
Era tudo o que eu queria...
Não foste o que apregoas
e a culpa também é tua.
Hoje, renuncio ao peso da tua crença e a uma meia vida.
Porque me deixaste à deriva?
Por pior que me sinta ao proferir estas palavras,
não há perdão para um ser que deixa outro a morrer, logo ao nascer.
De uma realidade distorcida, fizeste-me temer.
Qualquer coisa que não existe, é só na tua cabeça.
Já chega!
Não permito mais que me leves por arrasto,
estou farta do teu mundo fantástico.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sou eu

Não posso inventar histórias que não me saem dos dedos,
não posso falar do que não sei,
não posso ser o que não sou...
Viro-me, reviro-me e torno-me a virar
e na verdade nada me inspira nesta vida.
A minha capacidade de ajuste é deficiente
e existem erros graves de cariz primitivo, tristemente...
A imagem é quase sempre turva,
eu coíbo-me de sair da fantasia.
Tudo é estranho de tão "normal" aparente
e entro num filme Lynchiano,
com objetos exagerados em pormenor
e a imagem intermitente.
A linguagem, eu não entendo,
falam de um mundo que eu não conheço.
Teimam em converter-me,
fingindo apaziguar o meu maior medo!
Todos os dias acordo com novo ideal,
nunca o cumpro...
e carrego-me de culpa.
Nunca sei bem o que dizer,
ainda existe muito cinzento
e é difícil ver.
Tudo o que digo acaba sempre em mim,
ou fica inerte.
Nem sei porque teimo em crer no que não existe...
Eu não me repito de vez em quando,
eu repito-me constantemente!
O não...? Eu não o conheço,
mas posso desintegrar-me em mil bocados, que eu aguento!
Eu não escrevo...
Eu enlouqueço e não me sinto...e sonho...
Junto pequenos pontos,
mas nunca os unifico,
as frases partem-se nas pontas,
sem chegar ao infinito,
as palavras perdem-se ainda em memória...
Qualquer coisa inconstante,
talvez igual a todas as outras,
mas singular porque sou eu!

domingo, 1 de novembro de 2015

Sonhos onde se quer viver

Faz bastante tempo que não escrevo...não tenho inspiração...
Não tenho coisas interessantes para descrever, como os sonhos onde se quer viver.
Sinto-me papel em branco, apenas pronto para receber...
mas continuo sem nada para dizer!
Não conjugo palavras ordenadas, de sentido lógico, pensado ou estudado sequer...
são palavras surgidas de um entrelaçado. São palavras vindas do mais profundo âmago do ser!
Vestido de surreal e livre de cálculos matemáticos do mais hipócrita que não quero ser.
A vida é passagem repentina, é para ser aproveitada por alguém bem distante de mim.
Já fraca para agarrar o sonho, escondo-me na capa confortável e instável, numa possível vontade de não ser assim!
Tenho demónios que me enlouquecem em divisão...ajoelho-me sobre a terra e perco a razão!
Para quê suportar o cronometrado sempre com o fim assinalado?
Um dia o filme acaba...e de que me valeu o desmedidamente com a intenção de acordar e de tudo se transformar!
Fecho os olhos...estou exausta em não me aproximar...
um dia, o palco da vida fez-me estremecer e levitar, mas já não me lembro e não sei até quando o esforço de o reencontrar.

Por: SM

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Olá,





















Olá, minha heroína.
Saudades de ti...
Sim, saudades.
Tu que me transformavas no ser inquebrável, inalcançável, sem medos, sem anseios, nem receios...
E tudo o mais que me fazia rainha!
Numa meia consciência de uma rainha decadente, adormecida e dormente,
A quem não importava analisar a realidade como coisa aparente, mal sentida, incongruente, guardada, abafada lá no fundo de uma alma doente.
Tudo isto sem hipótese de futuro e condenada a um presente em que dormia...
não sentia a agonia de ter uma alma labirinto,
Que não deixa respirar, mesmo depois de um coma profundo acordar
E de sentir sublime vontade de continuar.
Olá, minha heroína.
Devo ser louca por sentir tudo de forma ambígua.
Quero voltar a dormir
E se voltar que seja de vez...
Porque já não possuo neste corpo frágil e vil,
Nem nesta cabeça inconstante, a força para acordar outra vez.
E para quê acordar?
Sou alma sem resolução num mundo que não existe!
Foste a minha carcereira mais fiel...
Que me concedia liberdade para me queimar na própria fogueira.
E estava tão mal habituada, que não te quis deixar ir.
Fui obrigada por Deuses desconhecidos à minha ignorância e à minha sabedoria.
E agarrei-me a ti até ao ultimo minuto da despedida...
Na verdade, com ou sem ti, sinto que nunca nasci.
E se não nasci, não existo...e o que sinto é isto!
Minha querida, que ao partir, deixaste-me em maior sofrimento, abriste a porta dos meus medos...
E eu não sei mais até onde vou.
Tenho a boca cheia de palavras enraivecidas, a cabeça fustigada por pensamentos infinitos...
E um corpo que clama por algum descanso.
É violento e eu não aguento!
Olá, minha heroína!
Arquivaste todos os meus medos em segredo,
Bem junto de ti, cercados no teu cerco.
E lembro-me...
Não confiei nem desconfiei e cedi,
Tudo por um mundo encantado, cheio de fantasia...
E de tudo o que não existia!
Não deixavas que a distinção dos meus pensamentos me matasse por dentro
E eu sentia-me em neblina.
Pelo menos não definia tão verdadeiramente a podridão de um corpo a quem a mente finge e mente...

Por: SM

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Círculos

Foto por; Sofia Medeiros
















Se me repito? É possível...
toco sempre na mesma ferida,
rasgo o papel em diversos sentidos
e faço enorme alarido para desarmar o que não pode ser...
Quebro todos os pensamentos
e no fundo, só me quero conhecer!
Nunca me pude ver de forma nítida,
nunca pude apreender
e nunca pensei crescer...
Se persisto em escrever estas rimas sem nexo...
não há nada que eu possa fazer!
Pequenas peças soltas,
vivem desde sempre aos círculos dentro de mim,
nunca fui nada tomado por certo,
nem nunca achei ter direito
e nunca ouviram que eu tivesse alguma coisa para dizer.
Ao escrever estas linhas,
é quando sinto o coração estremecer,
quando sinto o sangue a ferver...
é quando me sinto realmente viva!
Se por vezes me distancio,
é difícil fazer...
e o melhor é não tentar compreender!

Por: SM

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Avenida


Procuro um banco na avenida, em silêncio para me sentar,
Olho para o céu que está em neblina,
Ele nunca é como eu,
Que não sei como estar.
Não ambiciono ser um Pessoa, infinitamente inspirado por Lisboa!
A ele que nunca faltaram os versos,
um mundo que não quis saber,
só se lembrou...quando os versos deixaram de ter papel para crescer!
Eu sou apenas eu...
já sem vontade de perguntar por aquilo que é meu, ou que seria.
Ao mesmo tempo que penso em tudo isto,
O sol aparece...
e sem combinação absolutamente nenhuma,
de repente, alguma coisa me faz perceber,
Por intermédio de outro ser,
sou alertada e tu estás-me a ver...
É um sinal intemporal, mas que faço eu com ele?
Eu que nunca aprendi,
Porque só me deixaram ver
E trago comigo este ódio no peito,
é pesado e eu não aguento!
Não és tu! Sou eu que aprendo e não me sinto,
Quero ser raptada por qualquer coisa desconhecida,
Enquanto faço parte desta paisagem ambígua.
Sinto o sol na minha cabeça,
Quer trazer-me de volta
E sonho com impossíveis,
Mas é assim que eu vejo o mundo e que me vejo,
Pinto a realidade que me atravessa e que não me reflexa...
Se não fossem estas letras,
Já tinha explodido de conversas só minhas.
Deixaste em mim o peso da esperança,
Mas eu sou eu...fugi e não correspondi a essa crença!
E agora sinto-me a desaparecer,
Porque ninguém me explicou qualquer diferença,
Trago o corpo de outra dimensão,
Não sou sublime e deixo escorregar tudo por entre mãos!

Por: SM

domingo, 23 de agosto de 2015

Espaço

Foto por: Sofia Medeiros


















Sinto as marcas de um pedinte,
a roupa rasgada,
a alma penada...
Este universo é pequeno demais para mim,
suga-me e cospe-me para o buraco negro de onde eu vim.
Vou ao espaço e volto,
mas na verdade nunca te encontro
e sinto-me exausta de tantos anos luz nesta viagem.
Aqui não toco nas estrelas,
elas querem tocar em mim,
Faço sinal aos foguetões que passam em sussurro,
afinal, por aqui tudo é mudo
e o nada é demasiado para ser futuro!
Neste espaço...
o nada são todos os caminhos que vão dar a uma vila cruzada,
com milhões e milhões de anos de vida iluminada,
uma ilha que desaparece,
um disco voador que passa,
todos vêem e a todos esquece!
É cedo, mas sinto vontade de me deitar,
porque sei que a dormir sou capaz de todas as coisas,
que ao acordar...
deixo cair!

Por: SM

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Real

Foto por: Sofia Medeiros






















Ela só quis atenção,
mas foi esquecida,
foi comprada,
ficou estático no tempo o seu modo de ser,
as suas palavras...
Sentiu-se perdida e não soube distinguir a verdade da mentira.
Ela nunca quis que fosse assim!
Não pediu nada
e teve tanto céu para agarrar...
No entanto, nunca imaginou lá chegar!
Num somatório de inexistências,
encheu-se de grande vazio,
grande demais para sustentar a gentil inocência,
ela só queria respirar e não conseguiu.
Não foi o que quis,
foi sempre sem saber,
esqueceu-se do que não aprendeu...
Lutou contra demónios em cima de areia
e fartou-se de perder!
Impedida por Deuses,
cedeu ao peso da terra,
deixou cair a expressão
e o corpo numa fogueira.
Não entendeu o mais trivial,
quis provar o impossível,
não é possível...
e é real!

Por: SM

sábado, 15 de agosto de 2015

Beijar

Foto por: SM












Cansada de tanto calar,
Zangada, esmagada,
Por este mundo de nada.
Quero chegar ao fim deste labirinto,
Quero chegar ao inicio de mim.
Não quero olhar para o chão,
Nem imagens cinzentas que só me dizem não.
Quero escrever uma nova história,
Olhar a ponte sobre o Tejo,
Ver Lisboa pela primeira vez,
Fazer magia nos olhos do cego, que sou eu...!
Mar de luz que não conquistei,
O tempo não foi meu
E eu nunca me perdoei.
Está na hora de te beijar
E de nunca mais me condenar.

Por: SM

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Sonhar

Foto por: SM





















Estava a sonhar,
Levanto-me, olho para o espelho,
O reflexo não é meu.
Visto-me, saio à rua,
Toda a gente desapareceu
E o mundo é só meu.
É estranho e sinto-me nua,
Mas não posso parar...
Vou continuar a sonhar,
Se é realidade ou ficção,
Não quero saber...
Quero fazer de conta!
Quero abrir a máquina trancada e em ebulição,
Gosto da ventania que acalma
e que dispara o meu andar sem direção.
Vou continuar a sonhar,
Sempre com grande satisfação.
Não voltar a acordar,
Passar por momentos que não têm tempo,
Vou continuar a sonhar...

Por: SM

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vida

Foto por: Sofia Medeiros

















Debaixo daquelas árvores,
as cigarras cantam enlouquecidas de tanta vida!
Um ar de silêncio passa por mim, respiro...e sou teletransportada para um outro mundo desejado,
um outro mundo encantado,
mas só visto e segredado por mim e para mim,
eu nunca as ouvi cantar assim!
Fala...e acorda o mais temível bicho que existe por aqui,
espreita-me a todo o instante,
sempre à espera da minha distração
e escrevo estas linhas pressionada pela culpa que é sempre minha!
Não sei se é mais fácil vomitar palavras em negação,
do que engoli-las por pura reação.
Mundo, não te canses a despedir-me da autoria deste meu livro não escrito,
odeio a hipocrisia de todos os seres...
Quero voltar debaixo daquelas árvores,
quero esvanecer-me no seu interior
desaparecer de qualquer campo de visão racional,
deitar-me sobre a pureza de todas as coisas na terra,
senti-la como se fosse a primeira vez...
e não ter nunca mais que voltar a contar até três...!

Por: SM

domingo, 2 de agosto de 2015

Pretérito perfeito

Foto por: Sofia Medeiros



Sinto-me ruído que incomoda,
um tudo que mais parece nada,
talvez um bibelot de enfeitar...
qualquer coisa desprovida de essência, ou de estrutura molecular.
Criatura carregada de medos e anseios...
Para quê? Porque o mais provável é ser para nada!
Sou uma porta fechada, uma sala grande, um caso sem solução,
Não sei se ainda quero saber quem sou, ou onde estou,
Não faço ideia do que é viver e não sei ser capaz de o fazer.
Arranjar uma forma pacifica e subtil de controlar o incontrolável,
qualquer coisa estremecida, uma guerra milenar, vinda de outra vida.
Quero subir a parede mais alta e deixar-me cair! Então porque raio ei-de eu existir?!
Abafada de sensações, quero a rua só para mim,
mas sou incapaz de a glorificar...não tenho sabedoria para a enxergar...
e estou revoltada.
Sonho mil sonhos e canso-me de os repetir no pretérito perfeito.
Que luta alucinada e ambígua dentro da minha cabeça!
Tantos pensamentos e tantas vidas,
todas dentro do peito...

Por: SM

Oblíquo

Foto por: Sofia Medeiros






















Tenho tantas coisas a fazer,
Que não faço nenhuma delas,
São chatas e só me apetece escrever...
Estes pobres versos que são o sustento da minha respiração!
Sempre os tive dentro de mim, mas nunca lhes dei permissão.
São pensamentos livres,
A minha alavanca para outros mundos,
outras histórias que não são minhas,
são a minha imaginação, o meu inconsequente, o meu inconsciente...
que ao serem concebidos, tropeçam neste mundo real!
Vivo com protagonistas, actores secundários...e mais uns quantos figurantes de segunda mão,
parecem-me sempre levitar,
são pássaros que nunca tocam no chão.
Aqui tudo é visto em tom de oblíquo
e nunca na vertical...
Tudo é inconstante, de difícil discernimento,
é sempre tudo ao mesmo tempo!

Por: SM

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dividida

Foto por: Sofia Medeiros






















Tenho tanto para dizer e no entanto, sinto que o mundo não tem tempo para mim,
O tempo não tem tempo para me escutar,
nem me dá a oportunidade de deixar estar,
Está zangado comigo e surge quando não tenho nada para falar.
como sou desprevenida,
sinto-me sempre dividida entre um saco cheio de vida e outro cheio de nada,
sou malabarista do passado, do presente e impedida de ser futuro,
não tenho o poder de interromper no mundo
e fico de longe, vendo o que não fiz!
Fui forrada de padrões bonitos,
mas ninguém quis saber do meu querer.
Faço tal esforço para subir a escada, que páro...
porque me dói o peito!
Quero simplesmente respirar porque estou ofegante...
trancada num fosso ausente de fim.
Onde está a luz pequenina que se perdeu?
E que afinal, sou eu!

Por: SM

sábado, 25 de julho de 2015

Encantamento














Tenho andado por mim perdida,
não que seja novidade, foi sempre assim...
Estou exausta de tanto querer entender o impossível.
São demasiados bichinhos dentro de mim,
que me roem o pensamento em pedaços milimétricos.
Sinto-me uma peça insólita neste mundo,
não por presunção, mas por não me encaixar em buraco algum.
Gosto de trocar as palavras e de nunca as facilitar,
Nada do que escrevo tem sentido...
É turvo e depende de muitas interrogações?
São milhares as letras que posso emparelhar,
Mas tenho sempre a sensação de que é inútil...
E de que todas juntas se reúnem numa única descrição.
Então de que me valem estas palavras rebuscadas,
que se tornam a buscar vezes e vezes sem conta num rodopio sem fim!
Palavras atiradas a uma qualquer folha de papel em branco.
Sim! Disse folha de papel!
porque apesar de muito apreciar estas novas tecnologias,
entre nós existe uma espécie de confronto directo inexorável...e não encontro nelas qualquer inspiração!
Quero letras palpáveis sem risco de avaria,
porque mesmo os meus neurónios mais loucos entre si,
não interrompem o fluxo deste encantamento!

Por: SM

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Inebriar

Foto por: Sofia Medeiros
















Procuro ferramentas para me concertar,
pego nelas e faço delas o que nunca consegui...
Ao longe vejo um colo,
Onde sei que já senti, o poder de abrigar.
Senti que era ouvida e socorrida a cada chamamento meu.
Descansei, relaxei...
Sentada e encostada no tronco daquela árvore de nada.
Senti os seus braços meigos,
Levitei na sua voz tranquila...
Que na verdade, não me soube a coisa alguma!
Misturei o finito com o infinito e inebriei-me em torno de mim própria,
Sempre porque quis...
Chega! Já chega!
É hora de acordar com os meus olhos,
Sem sentir vontade de me arrastar
E não segurar muralhas não supostas de carregar!
Com tudo isto, chego à conclusão de que afinal não tenho resolução,
Mas tenho a vontade de tentar.
Cansada de viajar por bocas que não são minhas,
Não sei como ainda estou aqui,
Porque no final das contas, até hoje eu nunca me vi!

Por: SM

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Procuro

Vulcão dos Capelinhos - Ilha do Faial
Foto por: Sofia Medeiros















Saio à rua,
O vento delineia cada contorno meu,
Brinca com os meus cabelos
E dança ao meu redor,
Sinto-o querer levar-me para longe,
Sinto uma enorme e estranha calma,
Que envolve todo o meu corpo,
mas não me alivia a alma...
Faço caminhos diferentes, na espera de coisas novas,
A meio caminho descubro que o novo já não é novo,
É qualquer coisa já vista e retrocida,
em outro tempo, outro mundo,
Que também foi meu.
Páro! Olho à volta...e inspiro do mais profundo do meu peito,
É desilusão...
E um dia, até já o senti percorrer as minhas mãos!
Lembro-me da sua pureza levitante,
Do cheiro a terra molhada, recheada de flores,
Do vulcão imponente aos estrangeiros, mas não para mim,
Feita do mesmo fogo por dentro.
Lembro-me do azul transparente, que tinha dias inconsequentes
E inspirava à loucura, mas não uma loucura doente...!
O exilio da pureza tem-me levado à condenação,
E em segredo, confidencio com o meu antepassado,
Que ao meu nascer, logo me estendeu o seu chão.

Por: SM

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Forma de ser

 
Foto por: Sofia Medeiros

















Fazer poesia não é um acto de querer.
É uma necessidade, uma fome de escrever,
Um grito de socorro, que real ou irreal, pode sempre acontecer!
As palavras caem no papel e eu preciso de as ver,
O sangue que me corre nas veias, entra em ebulição
E as letras seguram o meu transtorno emocional...
Em mim não existe um principio, meio e fim,
Os sentimentos são aleatórios, não têm ordem de construção.
Quando escrevo, não falo em histórias de encantar,
Falo do que sinto...ou nem sempre é assim e não falo de mim?!
Vai depender de quem ler,
Daquilo que eu projectei,
Do estado do momento,
Se senti ou imaginei...
Não há nada de concreto num mundo de inversão,
Criado, sentido por cada um e por todos em forma de corrente.
Sinto tantas coisas ao mesmo tempo, que nunca me lembro por onde comecei...
E tudo isto é um ciclo sem rumo certo,
que termina num poema desgovernado, sem direção!

Por: SM

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Rotação

Foto por: Sofia Medeiros






















Acordo em fogo de artificio e é sempre difícil estabelecer alguma rotação,
As palavras atropelam-se...
e destes versos não sai a minha verdadeira expressão!
Ao despertar...
o ar é o mesmo, mas irá mudar,
os sons são os mesmos, mas irão mudar,
as cores são as mesmas, mas também irão mudar...
tudo isto, de uma maneira ou de outra, irá acontecer.
Por todos os estados, todas estas coisas irão passar,
mesmo sendo apenas vistas pelos nossos olhos,
absorvidas pelos nossos estados,
sempre dependendo de cada momento...
Ao longo do dia desanimo,
ao encontrar em mim, qualquer coisa repetida
e constato a minha grande fraqueza...
Um corpo que desfalece,
um pensamento que aliena por um túnel de confusão,
no espelho...vejo caras feias e um corpo em combustão!
Sinto-me infinitamente uma criança...
porque doí, porque tem medo,
uma simples palavra e tudo parece poder terminar,
só por não deter o poder da concertação...

Por: SM


domingo, 12 de julho de 2015

Eureka!

Foto por: Sofia Medeiros





















Brilhante de esperança, como quem descobre água para matar a sua sede,
logo me apressei a falar-te da minha eureka...!
E tu, como Medusa dos oceanos, pelo menos na minha cabeça...
não perdeste tempo em petrificar o meu Hércules!
Os teus cabelos serpenteados,
enrolaram-se-me à volta do meu pescoço,
injectas-te-me do teu veneno...e ainda queres que eu fale...?!
Viajei no túnel do tempo,
Fui até ao dia em que me perdi na escuridão e os teus olhos me encontraram.
Que luz linda era aquela?! Que beleza pura! Tal Medusa Hérculeana, que ensandece e leva à loucura!
E assim, uma luz sorridente, roubava-me a um inferno negro de tristeza e solidão...
quis tanto essa distância, como o Cabo das Tormentas passou a Cabo da Boa Esperança!
Cedi ao teu canto de ouro
e ali fiquei estarrecida.
Deixar de ver por mim, de falar por mim...
até deixar de saber quem sou...
Sempre que surgir um resto de mim, será eliminado!
Bloqueado!
Emparedado!
Mas, como nunca gostei daquilo que aprendi,
desacreditei no que sempre acreditei...!

Por: SM


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Para ti!

Foto por: Sofia Medeiros




















Ninguém quer ver,
ninguém quer sentir,
ninguém quer ser...
e é sem dúvida mais fácil enobrecer, implorando a ignorância.
Porque hei-de eu importar-me com coisas...?
Coisas tolas, coisas triviais, coisas desinteressantes!
Coisas de ninguém...ao que parece, toda a gente quer saber
e todos se escondem atrás de alguém que não é ninguém.
Não quero ser uma cópia fraudulenta. Não!
Para mim seria um sacrilégio,
Ou tão pouco ser acusada, nem que por mim mesma. Não!
A verdade é que tenho roubado e bebido da tua fonte
ou, se não tenho...
pelo menos sinto que é real e faço-o com grande esforço,
sempre na tentativa de me reconhecer...um dia!
Ao abrir a tua história, subi nas tuas asas e voei...diria...livremente!...Mas não posso!
Olho...e sinto que, livremente, é só mais uma palavra bonita, é só mais um estado desejável.
Sou ilhéu e trago comigo uma alma sonhadora, atenta e de frágil "tacto",
que quando confrontada, tal choque inicial, com a rudeza continental,
é dentro de mim a explosão de uma qualquer catástrofe mundial, planetária...
São as letras que se atropelam
e a emoção não espera por elas...

Por: SM

domingo, 5 de julho de 2015

Pensamento qualquer

Foto por: Sofia Medeiros

Já não sei se devo falar, sentir ou ser...
pois parece que me repito interminavelmente.
Mas quem não se repete é porque é doente!
Sou alguém que se sente ninguém,
mas quem é que não se sente assim?
Nem que seja uma rainha!
Ou nem que seja apenas por um dia!

Por: SM


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Existir

Foto por: Sofia Medeiros






















Sinto que nunca existi.
Sou alma livre, aprisionada num corpo viciado,
que me condiciona intensamente.
Sinto-me aqui por engano e em pura agonia.
Barco que tem viajado por entre interrogações e reticências,
confundindo a realidade com a introspecção,
não sei bem por onde ando e até perco a noção.
Não quero fazer rimas ridículas,
mas é coisa que me atravessa a estrada...
E eu...Eu não consigo dizer não!
Vogais e consoantes não são coisas fáceis de roubar,
enquanto me sentir,
vou continuar a falar, a pensar, a divagar, a filosofar, a sonhar...a rimar...!
Enfim...
Enquanto houver alma...enquanto houver inspiração...

Por: SM

terça-feira, 30 de junho de 2015

Cobardia

Foto por: Sofia Medeiros
                                                                                


Não sei o que sinto,
mas gostava de desaparecer,
nem que fosse por um momento.
Falta-me o ar...
Talvez por não ser capaz,
de querer ser capaz.
Estranhamente, sinto ódio de mim,
É culpa, é tormento!
Daquilo que não sei dizer,
Daquilo que ficou por ser,
e que é capaz de me matar de descontentamento.
Serei eu, animal fraco,
que retrai a sua fúria em momento de ataque,
também momento da sua salvação?
Prefere então, engolir a saliva que não tem
e morrer de sede, à beira do rio.
Que cobardia...!

Por: SM

domingo, 28 de junho de 2015

Voltar atrás

Foto por: Sofia Medeiros

A vida por um fio,
o relógio em contagem decrescente,
um último sorriso,
um último adeus,
uma página a virar,
e tanto que fica para contar.
De uma história inacabada,
fica a vontade do querer,
a insatisfação e a impotência,
porque a esperança...essa, desvaneceu.
Desafiaste o tempo,
mas o corpo cedeu.
Não há humano capaz de inverter a ordem dos ponteiros
E voltar atrás.
Se eu tivesse uma máquina do tempo,
voltava para te recuperar,
Mas a razão não me deixa acreditar na ilusão.

Por: SM




Quem sou

Farol do vulcão dos Capelinhos - Ilha do Faial
Foto por: Sofia Medeiros

                                        

Posso inventar mil histórias,
Para nunca mais ser eu,
Posso viver cem mil vidas,
Até saber quem sou.
Visto vários personagens,
Mas nenhum me acenta bem.
Passeio pelos sonhos...não posso!
Saio da ficção, entro na realidade,
Não foi bem por querer,
Foi por necessidade...
Quero sentir os pés bem firmes no chão,
Uma árvore enraizada,
Com anos de sol e escuridão.
Quero sentir cada pormenor,
Da vida que não vivi,
Ir ao céu e voltar,
Tantas vezes, quantas conseguir.
Sei de muitas coisas
E nenhuma sabe de mim...
Quero revirar o mundo,
Para não voltar a ser assim!

Por: SM

sábado, 27 de junho de 2015

Anestesia

Foto por: Sofia Medeiros
 

Cada vez menos me conheço
E só me estranho.
Não sinto, é como anestesia
E sinto tudo ao mesmo tempo...
Acredito que é tormento.
Estou vazia...
E felicidade?...Essa não conheço.
Não quero ser injusta
E não aceito penas de ninguém.
O orgulho às vezes é rei
E eu andei a vida inteira sem solução.
Quero sair deste filme
E viajar para Saturno,
Onde só há vazio...
E onde não há mundo.

Por: SM

Tabacaria, de Fernando Pessoa - por: João Villaret.

https://www.youtube.com/watch?v=CHRFFUzbg0Y&index=3&list=PL5F59EC3780E69FFB


Foto por: Sofia Medeiros

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Viver ou morrer

Foto por: Sofia Medeiros
Em: Exposição Foto-síntese, de João Marchante.


http://novacasaportuguesa.blogspot.pt/2012/06/foto-sintese-uma-exposicao-de-joao.html

Desde sempre que não me sinto pertencer a este planeta,
Procurei pela vida, apresentaram-me a morte,
Caminhei por onde não havia estrada,
Quis ser eu, mas fui impedida.
Gritei, esperneei,
ninguém ouviu ou viu...ninguém quis ouvir ou ver.
Quis escapar,
mas caí, escorreguei,
Numa fuga a um mundo escuro,
Trilhei a estrada mais tortuosa e esburacada que alguma vez imaginei,
Cheguei ao fim e não me conheci.
Atravessei o oceano, viajando na esperança,
Do outro lado do espelho, uma fuga cega e constante.
Tanto de mim já pus em causa,
E nunca percebi, porque tudo foi assim?...
Ignorada e anulada da minha existência,
Logo à nascença fui confrontada e obrigada a competir contigo,
Acredito que se soubesses, não deixarias acontecer,
Mas nada acontece por simples acaso.
A minha rebeldia foi grito de socorro,
E os caminhos enganosos,
Uma fuga ao céu negro que matou a minha inocência.
A questão talvez não seja assim tão rebuscada,
Foi plantada em mim, raíz difícil de arrancar,
Não é tarefa impossível,
É só um muro...
E eu quero pulá-lo.
Como aprendi que não existia,
Decidi criar o meu mundo de fantasia,
E aprendo que a subjectividade não serve todas as alíneas.
A vontade é de viver,
Com todo o meu ser.

Por: SM