sexta-feira, 1 de março de 2013

Silenciar

Foto por: Sofia Medeiros


Dei por mim sentada na beira da cama, remoendo sons em ruído de fundo,
no turbilhão dos meus pensamentos, estou confusa e tento deslindar-me,
num remoinho de sentimentos, quero saber do que sou capaz!
Alguns sentimentos são feios demais de se mostrarem...são eles que estrangulam a alma,
tudo o que é capaz de atormentar o ser...
É vontade de estourar, rebentar, gritar, ou até silenciar...
Silenciar é a pior doença...
Morro de medo do silêncio extremo, daquele que arrasta consigo um odor a trago do fim...

Por: SM

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sensações

Foto por: Sofia Medeiros
















Um turbilhão de sentimentos assombram-me o coração,
Viajo no autocarro sem destino, sempre de cabeça voltada para a janela,
Enquanto que as pessoas no seu interior, transformam-se em névoa.
O tremelicar da máquina embala-me...e eu viajo de sensações!
Chego de uma encarnação sem reencarnação,
Perdida, vinda de um mundo só meu,
E tudo o resto é uma grande agitação!...

Por: SM

Reclamar

Foto por: Sofia Medeiros













Tenho o coração parado,
de vez em quando parece reclamar...
Será que me vou lembrar de mim? Só tenho perguntas e nenhuma resposta...
O tempo que passa, na verdade não passa por aqui...ou cá por dentro de mim!
Na minha cabeça passam sequelas de um filme sem continuidade, sem direção,
Um filme noir, sem som, apenas de sentimentos...
Não sei nada e não sei se quero saber!
Porque não enlouqueço de vez?! É isso que eu quero sentir!
Vou estar, só não sei por quanto tempo,
vou estar até que a alma me doa...veemente.

 Por: SM


Tempo


Foto por: Sofia Medeiros

Ouvir aquilo foi uma faca no meu peito,
Punhal que atravessa de lado a lado o coração,
Foi enfrentar o meu demónio cara a cara e ter que engolir toda a sua ira...
Senti-me o mais feio e desprezável bicho à face da terra
e isso dói e remoi a alma,
essa que nunca teve sossego no corpo que cresceu,
que preferiu ficar parada,
que preferiu ficar calada durante tanto tempo,
tempo desperdiçado,tempo desejável, tempo que não pára...


Por: SM

Medo

Praia do Almoxarife - Ilha do Faial
Foto por: Sofia Medeiros



Quero caminhar mas estou parada,
Quero expulsar a minha raiva,
Quero dar murros à parva
e aliviar o meu eu...
Gritar,
Explodir,
Vencer,
Estou presa e pronta para sair.
Quero espreitar cá para fora,
brilhar e correr!
E vejo a minha alma suja,
cheia de culpas
e fico com medo.
Medo do fantasma que persegue,
medo da voz que não sai,
medo de mim,
de mim...
Eu vou mas não chego,
eu tento mas não consigo,
eu quero mas não atinjo,
eu morro e não vivo.
Olho para mim,
vejo tudo e não vejo nada.
É preciso acordar,
ver, escutar,
e dar a conhecer ao mundo...
tudo o que não sai!

Por: SM






A ilha

Vulcão dos Capelinhos - Ilha do Faial
Foto por: Sofia Medeiros

















Saudade do vulcão,
meu confidente
Saudade do mar,
azul da minha tranquilidade
Saudade do vento
e da minha leveza
Saudade do som,
na forma de um pássaro
Saudade de mim
Eu sou ilha,
sou mar, sou pedra
Sou prisão e liberdade
Sou mar bravo em dia de tempestade
e maresia em dia ensolarado
Sou terra vulcânica
nas garras de uma águia
e hortênsia nas mãos de um turista.

Por: SM