quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Deriva

Posso inspirar-me em ti para escrever sobre aquilo que nunca vi...
Porque é que não me ensinaste?
Porque é que me deixaste no meio de uma guerra antiga?
Porque é que me deixaste existir, só por existir?
Porque é que nunca me prendeste?
Porque é que me mostraste a vida, sem ser?
Porque é que só me mostraste o negro
e porque é que não me espantaste o medo?
Esqueceste-te do devido?
Porque é que me mostraste o nada, que não valia?
Porque é que não tiraste a venda?
Era tudo o que eu queria...
Não foste o que apregoas
e a culpa também é tua.
Hoje, renuncio ao peso da tua crença e a uma meia vida.
Porque me deixaste à deriva?
Por pior que me sinta ao proferir estas palavras,
não há perdão para um ser que deixa outro a morrer, logo ao nascer.
De uma realidade distorcida, fizeste-me temer.
Qualquer coisa que não existe, é só na tua cabeça.
Já chega!
Não permito mais que me leves por arrasto,
estou farta do teu mundo fantástico.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sou eu

Não posso inventar histórias que não me saem dos dedos,
não posso falar do que não sei,
não posso ser o que não sou...
Viro-me, reviro-me e torno-me a virar
e na verdade nada me inspira nesta vida.
A minha capacidade de ajuste é deficiente
e existem erros graves de cariz primitivo, tristemente...
A imagem é quase sempre turva,
eu coíbo-me de sair da fantasia.
Tudo é estranho de tão "normal" aparente
e entro num filme Lynchiano,
com objetos exagerados em pormenor
e a imagem intermitente.
A linguagem, eu não entendo,
falam de um mundo que eu não conheço.
Teimam em converter-me,
fingindo apaziguar o meu maior medo!
Todos os dias acordo com novo ideal,
nunca o cumpro...
e carrego-me de culpa.
Nunca sei bem o que dizer,
ainda existe muito cinzento
e é difícil ver.
Tudo o que digo acaba sempre em mim,
ou fica inerte.
Nem sei porque teimo em crer no que não existe...
Eu não me repito de vez em quando,
eu repito-me constantemente!
O não...? Eu não o conheço,
mas posso desintegrar-me em mil bocados, que eu aguento!
Eu não escrevo...
Eu enlouqueço e não me sinto...e sonho...
Junto pequenos pontos,
mas nunca os unifico,
as frases partem-se nas pontas,
sem chegar ao infinito,
as palavras perdem-se ainda em memória...
Qualquer coisa inconstante,
talvez igual a todas as outras,
mas singular porque sou eu!

domingo, 1 de novembro de 2015

Sonhos onde se quer viver

Faz bastante tempo que não escrevo...não tenho inspiração...
Não tenho coisas interessantes para descrever, como os sonhos onde se quer viver.
Sinto-me papel em branco, apenas pronto para receber...
mas continuo sem nada para dizer!
Não conjugo palavras ordenadas, de sentido lógico, pensado ou estudado sequer...
são palavras surgidas de um entrelaçado. São palavras vindas do mais profundo âmago do ser!
Vestido de surreal e livre de cálculos matemáticos do mais hipócrita que não quero ser.
A vida é passagem repentina, é para ser aproveitada por alguém bem distante de mim.
Já fraca para agarrar o sonho, escondo-me na capa confortável e instável, numa possível vontade de não ser assim!
Tenho demónios que me enlouquecem em divisão...ajoelho-me sobre a terra e perco a razão!
Para quê suportar o cronometrado sempre com o fim assinalado?
Um dia o filme acaba...e de que me valeu o desmedidamente com a intenção de acordar e de tudo se transformar!
Fecho os olhos...estou exausta em não me aproximar...
um dia, o palco da vida fez-me estremecer e levitar, mas já não me lembro e não sei até quando o esforço de o reencontrar.

Por: SM