segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dividida

Foto por: Sofia Medeiros






















Tenho tanto para dizer e no entanto, sinto que o mundo não tem tempo para mim,
O tempo não tem tempo para me escutar,
nem me dá a oportunidade de deixar estar,
Está zangado comigo e surge quando não tenho nada para falar.
como sou desprevenida,
sinto-me sempre dividida entre um saco cheio de vida e outro cheio de nada,
sou malabarista do passado, do presente e impedida de ser futuro,
não tenho o poder de interromper no mundo
e fico de longe, vendo o que não fiz!
Fui forrada de padrões bonitos,
mas ninguém quis saber do meu querer.
Faço tal esforço para subir a escada, que páro...
porque me dói o peito!
Quero simplesmente respirar porque estou ofegante...
trancada num fosso ausente de fim.
Onde está a luz pequenina que se perdeu?
E que afinal, sou eu!

Por: SM

sábado, 25 de julho de 2015

Encantamento














Tenho andado por mim perdida,
não que seja novidade, foi sempre assim...
Estou exausta de tanto querer entender o impossível.
São demasiados bichinhos dentro de mim,
que me roem o pensamento em pedaços milimétricos.
Sinto-me uma peça insólita neste mundo,
não por presunção, mas por não me encaixar em buraco algum.
Gosto de trocar as palavras e de nunca as facilitar,
Nada do que escrevo tem sentido...
É turvo e depende de muitas interrogações?
São milhares as letras que posso emparelhar,
Mas tenho sempre a sensação de que é inútil...
E de que todas juntas se reúnem numa única descrição.
Então de que me valem estas palavras rebuscadas,
que se tornam a buscar vezes e vezes sem conta num rodopio sem fim!
Palavras atiradas a uma qualquer folha de papel em branco.
Sim! Disse folha de papel!
porque apesar de muito apreciar estas novas tecnologias,
entre nós existe uma espécie de confronto directo inexorável...e não encontro nelas qualquer inspiração!
Quero letras palpáveis sem risco de avaria,
porque mesmo os meus neurónios mais loucos entre si,
não interrompem o fluxo deste encantamento!

Por: SM

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Inebriar

Foto por: Sofia Medeiros
















Procuro ferramentas para me concertar,
pego nelas e faço delas o que nunca consegui...
Ao longe vejo um colo,
Onde sei que já senti, o poder de abrigar.
Senti que era ouvida e socorrida a cada chamamento meu.
Descansei, relaxei...
Sentada e encostada no tronco daquela árvore de nada.
Senti os seus braços meigos,
Levitei na sua voz tranquila...
Que na verdade, não me soube a coisa alguma!
Misturei o finito com o infinito e inebriei-me em torno de mim própria,
Sempre porque quis...
Chega! Já chega!
É hora de acordar com os meus olhos,
Sem sentir vontade de me arrastar
E não segurar muralhas não supostas de carregar!
Com tudo isto, chego à conclusão de que afinal não tenho resolução,
Mas tenho a vontade de tentar.
Cansada de viajar por bocas que não são minhas,
Não sei como ainda estou aqui,
Porque no final das contas, até hoje eu nunca me vi!

Por: SM

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Procuro

Vulcão dos Capelinhos - Ilha do Faial
Foto por: Sofia Medeiros















Saio à rua,
O vento delineia cada contorno meu,
Brinca com os meus cabelos
E dança ao meu redor,
Sinto-o querer levar-me para longe,
Sinto uma enorme e estranha calma,
Que envolve todo o meu corpo,
mas não me alivia a alma...
Faço caminhos diferentes, na espera de coisas novas,
A meio caminho descubro que o novo já não é novo,
É qualquer coisa já vista e retrocida,
em outro tempo, outro mundo,
Que também foi meu.
Páro! Olho à volta...e inspiro do mais profundo do meu peito,
É desilusão...
E um dia, até já o senti percorrer as minhas mãos!
Lembro-me da sua pureza levitante,
Do cheiro a terra molhada, recheada de flores,
Do vulcão imponente aos estrangeiros, mas não para mim,
Feita do mesmo fogo por dentro.
Lembro-me do azul transparente, que tinha dias inconsequentes
E inspirava à loucura, mas não uma loucura doente...!
O exilio da pureza tem-me levado à condenação,
E em segredo, confidencio com o meu antepassado,
Que ao meu nascer, logo me estendeu o seu chão.

Por: SM

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Forma de ser

 
Foto por: Sofia Medeiros

















Fazer poesia não é um acto de querer.
É uma necessidade, uma fome de escrever,
Um grito de socorro, que real ou irreal, pode sempre acontecer!
As palavras caem no papel e eu preciso de as ver,
O sangue que me corre nas veias, entra em ebulição
E as letras seguram o meu transtorno emocional...
Em mim não existe um principio, meio e fim,
Os sentimentos são aleatórios, não têm ordem de construção.
Quando escrevo, não falo em histórias de encantar,
Falo do que sinto...ou nem sempre é assim e não falo de mim?!
Vai depender de quem ler,
Daquilo que eu projectei,
Do estado do momento,
Se senti ou imaginei...
Não há nada de concreto num mundo de inversão,
Criado, sentido por cada um e por todos em forma de corrente.
Sinto tantas coisas ao mesmo tempo, que nunca me lembro por onde comecei...
E tudo isto é um ciclo sem rumo certo,
que termina num poema desgovernado, sem direção!

Por: SM

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Rotação

Foto por: Sofia Medeiros






















Acordo em fogo de artificio e é sempre difícil estabelecer alguma rotação,
As palavras atropelam-se...
e destes versos não sai a minha verdadeira expressão!
Ao despertar...
o ar é o mesmo, mas irá mudar,
os sons são os mesmos, mas irão mudar,
as cores são as mesmas, mas também irão mudar...
tudo isto, de uma maneira ou de outra, irá acontecer.
Por todos os estados, todas estas coisas irão passar,
mesmo sendo apenas vistas pelos nossos olhos,
absorvidas pelos nossos estados,
sempre dependendo de cada momento...
Ao longo do dia desanimo,
ao encontrar em mim, qualquer coisa repetida
e constato a minha grande fraqueza...
Um corpo que desfalece,
um pensamento que aliena por um túnel de confusão,
no espelho...vejo caras feias e um corpo em combustão!
Sinto-me infinitamente uma criança...
porque doí, porque tem medo,
uma simples palavra e tudo parece poder terminar,
só por não deter o poder da concertação...

Por: SM


domingo, 12 de julho de 2015

Eureka!

Foto por: Sofia Medeiros





















Brilhante de esperança, como quem descobre água para matar a sua sede,
logo me apressei a falar-te da minha eureka...!
E tu, como Medusa dos oceanos, pelo menos na minha cabeça...
não perdeste tempo em petrificar o meu Hércules!
Os teus cabelos serpenteados,
enrolaram-se-me à volta do meu pescoço,
injectas-te-me do teu veneno...e ainda queres que eu fale...?!
Viajei no túnel do tempo,
Fui até ao dia em que me perdi na escuridão e os teus olhos me encontraram.
Que luz linda era aquela?! Que beleza pura! Tal Medusa Hérculeana, que ensandece e leva à loucura!
E assim, uma luz sorridente, roubava-me a um inferno negro de tristeza e solidão...
quis tanto essa distância, como o Cabo das Tormentas passou a Cabo da Boa Esperança!
Cedi ao teu canto de ouro
e ali fiquei estarrecida.
Deixar de ver por mim, de falar por mim...
até deixar de saber quem sou...
Sempre que surgir um resto de mim, será eliminado!
Bloqueado!
Emparedado!
Mas, como nunca gostei daquilo que aprendi,
desacreditei no que sempre acreditei...!

Por: SM


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Para ti!

Foto por: Sofia Medeiros




















Ninguém quer ver,
ninguém quer sentir,
ninguém quer ser...
e é sem dúvida mais fácil enobrecer, implorando a ignorância.
Porque hei-de eu importar-me com coisas...?
Coisas tolas, coisas triviais, coisas desinteressantes!
Coisas de ninguém...ao que parece, toda a gente quer saber
e todos se escondem atrás de alguém que não é ninguém.
Não quero ser uma cópia fraudulenta. Não!
Para mim seria um sacrilégio,
Ou tão pouco ser acusada, nem que por mim mesma. Não!
A verdade é que tenho roubado e bebido da tua fonte
ou, se não tenho...
pelo menos sinto que é real e faço-o com grande esforço,
sempre na tentativa de me reconhecer...um dia!
Ao abrir a tua história, subi nas tuas asas e voei...diria...livremente!...Mas não posso!
Olho...e sinto que, livremente, é só mais uma palavra bonita, é só mais um estado desejável.
Sou ilhéu e trago comigo uma alma sonhadora, atenta e de frágil "tacto",
que quando confrontada, tal choque inicial, com a rudeza continental,
é dentro de mim a explosão de uma qualquer catástrofe mundial, planetária...
São as letras que se atropelam
e a emoção não espera por elas...

Por: SM

domingo, 5 de julho de 2015

Pensamento qualquer

Foto por: Sofia Medeiros

Já não sei se devo falar, sentir ou ser...
pois parece que me repito interminavelmente.
Mas quem não se repete é porque é doente!
Sou alguém que se sente ninguém,
mas quem é que não se sente assim?
Nem que seja uma rainha!
Ou nem que seja apenas por um dia!

Por: SM


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Existir

Foto por: Sofia Medeiros






















Sinto que nunca existi.
Sou alma livre, aprisionada num corpo viciado,
que me condiciona intensamente.
Sinto-me aqui por engano e em pura agonia.
Barco que tem viajado por entre interrogações e reticências,
confundindo a realidade com a introspecção,
não sei bem por onde ando e até perco a noção.
Não quero fazer rimas ridículas,
mas é coisa que me atravessa a estrada...
E eu...Eu não consigo dizer não!
Vogais e consoantes não são coisas fáceis de roubar,
enquanto me sentir,
vou continuar a falar, a pensar, a divagar, a filosofar, a sonhar...a rimar...!
Enfim...
Enquanto houver alma...enquanto houver inspiração...

Por: SM