quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sou eu

Não posso inventar histórias que não me saem dos dedos,
não posso falar do que não sei,
não posso ser o que não sou...
Viro-me, reviro-me e torno-me a virar
e na verdade nada me inspira nesta vida.
A minha capacidade de ajuste é deficiente
e existem erros graves de cariz primitivo, tristemente...
A imagem é quase sempre turva,
eu coíbo-me de sair da fantasia.
Tudo é estranho de tão "normal" aparente
e entro num filme Lynchiano,
com objetos exagerados em pormenor
e a imagem intermitente.
A linguagem, eu não entendo,
falam de um mundo que eu não conheço.
Teimam em converter-me,
fingindo apaziguar o meu maior medo!
Todos os dias acordo com novo ideal,
nunca o cumpro...
e carrego-me de culpa.
Nunca sei bem o que dizer,
ainda existe muito cinzento
e é difícil ver.
Tudo o que digo acaba sempre em mim,
ou fica inerte.
Nem sei porque teimo em crer no que não existe...
Eu não me repito de vez em quando,
eu repito-me constantemente!
O não...? Eu não o conheço,
mas posso desintegrar-me em mil bocados, que eu aguento!
Eu não escrevo...
Eu enlouqueço e não me sinto...e sonho...
Junto pequenos pontos,
mas nunca os unifico,
as frases partem-se nas pontas,
sem chegar ao infinito,
as palavras perdem-se ainda em memória...
Qualquer coisa inconstante,
talvez igual a todas as outras,
mas singular porque sou eu!

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