quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Deriva

Posso inspirar-me em ti para escrever sobre aquilo que nunca vi...
Porque é que não me ensinaste?
Porque é que me deixaste no meio de uma guerra antiga?
Porque é que me deixaste existir, só por existir?
Porque é que nunca me prendeste?
Porque é que me mostraste a vida, sem ser?
Porque é que só me mostraste o negro
e porque é que não me espantaste o medo?
Esqueceste-te do devido?
Porque é que me mostraste o nada, que não valia?
Porque é que não tiraste a venda?
Era tudo o que eu queria...
Não foste o que apregoas
e a culpa também é tua.
Hoje, renuncio ao peso da tua crença e a uma meia vida.
Porque me deixaste à deriva?
Por pior que me sinta ao proferir estas palavras,
não há perdão para um ser que deixa outro a morrer, logo ao nascer.
De uma realidade distorcida, fizeste-me temer.
Qualquer coisa que não existe, é só na tua cabeça.
Já chega!
Não permito mais que me leves por arrasto,
estou farta do teu mundo fantástico.

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