terça-feira, 25 de agosto de 2015

Avenida


Procuro um banco na avenida, em silêncio para me sentar,
Olho para o céu que está em neblina,
Ele nunca é como eu,
Que não sei como estar.
Não ambiciono ser um Pessoa, infinitamente inspirado por Lisboa!
A ele que nunca faltaram os versos,
um mundo que não quis saber,
só se lembrou...quando os versos deixaram de ter papel para crescer!
Eu sou apenas eu...
já sem vontade de perguntar por aquilo que é meu, ou que seria.
Ao mesmo tempo que penso em tudo isto,
O sol aparece...
e sem combinação absolutamente nenhuma,
de repente, alguma coisa me faz perceber,
Por intermédio de outro ser,
sou alertada e tu estás-me a ver...
É um sinal intemporal, mas que faço eu com ele?
Eu que nunca aprendi,
Porque só me deixaram ver
E trago comigo este ódio no peito,
é pesado e eu não aguento!
Não és tu! Sou eu que aprendo e não me sinto,
Quero ser raptada por qualquer coisa desconhecida,
Enquanto faço parte desta paisagem ambígua.
Sinto o sol na minha cabeça,
Quer trazer-me de volta
E sonho com impossíveis,
Mas é assim que eu vejo o mundo e que me vejo,
Pinto a realidade que me atravessa e que não me reflexa...
Se não fossem estas letras,
Já tinha explodido de conversas só minhas.
Deixaste em mim o peso da esperança,
Mas eu sou eu...fugi e não correspondi a essa crença!
E agora sinto-me a desaparecer,
Porque ninguém me explicou qualquer diferença,
Trago o corpo de outra dimensão,
Não sou sublime e deixo escorregar tudo por entre mãos!

Por: SM

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