domingo, 2 de agosto de 2015

Pretérito perfeito

Foto por: Sofia Medeiros



Sinto-me ruído que incomoda,
um tudo que mais parece nada,
talvez um bibelot de enfeitar...
qualquer coisa desprovida de essência, ou de estrutura molecular.
Criatura carregada de medos e anseios...
Para quê? Porque o mais provável é ser para nada!
Sou uma porta fechada, uma sala grande, um caso sem solução,
Não sei se ainda quero saber quem sou, ou onde estou,
Não faço ideia do que é viver e não sei ser capaz de o fazer.
Arranjar uma forma pacifica e subtil de controlar o incontrolável,
qualquer coisa estremecida, uma guerra milenar, vinda de outra vida.
Quero subir a parede mais alta e deixar-me cair! Então porque raio ei-de eu existir?!
Abafada de sensações, quero a rua só para mim,
mas sou incapaz de a glorificar...não tenho sabedoria para a enxergar...
e estou revoltada.
Sonho mil sonhos e canso-me de os repetir no pretérito perfeito.
Que luta alucinada e ambígua dentro da minha cabeça!
Tantos pensamentos e tantas vidas,
todas dentro do peito...

Por: SM

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