sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Olá,
Olá, minha heroína.
Saudades de ti...
Sim, saudades.
Tu que me transformavas no ser inquebrável, inalcançável, sem medos, sem anseios, nem receios...
E tudo o mais que me fazia rainha!
Numa meia consciência de uma rainha decadente, adormecida e dormente,
A quem não importava analisar a realidade como coisa aparente, mal sentida, incongruente, guardada, abafada lá no fundo de uma alma doente.
Tudo isto sem hipótese de futuro e condenada a um presente em que dormia...
não sentia a agonia de ter uma alma labirinto,
Que não deixa respirar, mesmo depois de um coma profundo acordar
E de sentir sublime vontade de continuar.
Olá, minha heroína.
Devo ser louca por sentir tudo de forma ambígua.
Quero voltar a dormir
E se voltar que seja de vez...
Porque já não possuo neste corpo frágil e vil,
Nem nesta cabeça inconstante, a força para acordar outra vez.
E para quê acordar?
Sou alma sem resolução num mundo que não existe!
Foste a minha carcereira mais fiel...
Que me concedia liberdade para me queimar na própria fogueira.
E estava tão mal habituada, que não te quis deixar ir.
Fui obrigada por Deuses desconhecidos à minha ignorância e à minha sabedoria.
E agarrei-me a ti até ao ultimo minuto da despedida...
Na verdade, com ou sem ti, sinto que nunca nasci.
E se não nasci, não existo...e o que sinto é isto!
Minha querida, que ao partir, deixaste-me em maior sofrimento, abriste a porta dos meus medos...
E eu não sei mais até onde vou.
Tenho a boca cheia de palavras enraivecidas, a cabeça fustigada por pensamentos infinitos...
E um corpo que clama por algum descanso.
É violento e eu não aguento!
Olá, minha heroína!
Arquivaste todos os meus medos em segredo,
Bem junto de ti, cercados no teu cerco.
E lembro-me...
Não confiei nem desconfiei e cedi,
Tudo por um mundo encantado, cheio de fantasia...
E de tudo o que não existia!
Não deixavas que a distinção dos meus pensamentos me matasse por dentro
E eu sentia-me em neblina.
Pelo menos não definia tão verdadeiramente a podridão de um corpo a quem a mente finge e mente...
Por: SM
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