segunda-feira, 21 de março de 2016

...

O vento fala tão alto,
que parece acompanhar este estado corrosivo, triste e desmedido...
Sinto o peito desfeito
e morro de raiva desta falta de imaginação!
Eu não consigo parar...
É um nada continuo e sem interrupções.
Estou bloqueada! Cega, surda, muda...
e não me lembro de ter crescido!
No papel só vejo vestígios das mesmas palavras.
Os verbos, os substantivos e os adjetivos esgotaram-se,
nesta busca insana pela normalidade da alma humana.
Só me confundi,
andei em torno de mim mesma.
Vou desistir de responder,
porque não tenho nada para dizer.
As frases enrolam-se na língua
e não brotam como o habitual...
É ridículo repetir-me,
é ridículo não me ver,
é ridículo querer percorrer
e engolir o que não é meu.
É ainda mais ridículo desistir,
mas já não conheço outra palavra.
Sou uma história que não era para ser!
Quantas letras desperdiçadas...
são portões que se fecham para me calar
e eu sinto o peito a ponto de rebentar.
O corpo cede à cabeça,
sinto os pulmões pequenos,
e não consigo respirar...
O ar que é de todos,
eu sinto não ser meu.
Sinto-me a deteriorar,
como a bailarina da caixa de música,
o tempo não parou,
mas ela deixou de dançar...

SM

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